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Produção dos vinhos da Campanha triplicou em 20 anos

A Campanha Gaúcha é a segunda maior região produtora de vinhos do Brasil, atrás somente da Serra Gaúcha, com 1,6 mil hectares de vinhedos, 100% em espaldeira (sistema que facilita a mecanização e melhora a sanidade das uvas). A Região, portanto, representa 3,7% dos hectares de uvas plantadas no Rio Grande do Sul. Em 20 anos, enquanto a área (em hectares) de vinhedos no RS menos do que dobrou, a Região da Campanha Gaúcha cresceu praticamente três vezes.

A reunião-almoço do Menu Porto Alegre, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre, que aconteceu nesta terça-feira, 24/7, revelou as razões do sucesso dos vinhos finos da Campanha, onde as videiras começaram a ser implantadas na década de 1980 pela Almadén. A presidente da Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha Clori Giordani Peruzzo, proprietária da Vinícola Peruzzo, e a diretora de Comunicação e Marketing Victória Mércio, proprietária da Estância Vinícola Paraizo, participaram de um painel coordenado pelo jornalista César Cidade Dias, da Band RS.

Clori e Victória fazem parte de uma diretoria composta por cinco mulheres, que reflete o crescimento da participação feminina no setor de vitivinícola. Victória explica que o vinho é um novo paradigma para a região que tradicionalmente é de pecuária e agricultura. “Como não existe tradição sem inovação, então, nada mais contemporâneo do que a Campanha Gaúcha também contribuir e trazer um novo paradigma para o mundo do vinho que tradicionalmente é ainda bastante masculino.”

A nova diretoria assumiu em 2018, ano de excelente safra em termos de qualidade e aposta que em 2019 a Campanha terá uma produtividade ainda maior. Segundo a presidente Clori Peruzzo, entre as prioridades está a união de esforços junto as entidades do setor como Ibravin e Embrapa para criar o perfil regional que reflita o que é o vinho da Campanha gaúcha. Também pretende investir no enoturismo, que é uma maneira de mostrar também a Fronteira e suas belezas, uma região que ainda não é muito conhecida pela vitivinicultura. “Estamos trabalhando na roteirização da região”, informou.

No final de 2017, a Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha protocolou o pedido de reconhecimento da Indicação de Procedência (IP) para os vinhos finos da região, no escritório do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em Porto Alegre. Os vinhos finos (tranquilos e espumantes) serão os produtos autorizados a receberem o selo da IG, cujos vinhedos são cultivados em espaldeiras. “A Indicação de Procedência representará um marco para a região”, res Clori Peruzzo.