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General Mourão diz que não dá para comparar 1964 com 2018

O general do Exército da reserva Antônio Hamilton Mourão, gaúcho de Porto Alegre, começou sua palestra “Pensando o Brasil” na noite de terça-feira, 29, com o Salão Nobre do Palácio do Comércio lotado, avisando para uma plateia formada majoritariamente de militares da reserva e seus familiares, que tudo era opinião dele. Para aqueles que defendem a atuação das Forças Armadas na política, disse que não é possível comparar 1964 com 2018. 

Segundo ele, aquele momento era o ápice da intervenção militar na política que começou com a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, em 1922, com os tenentes Eduardo Gomes e Siqueira Campos, entre outros. Foi a primeira revolta do movimento tenentista, que teve como motivação buscar a queda da República Velha, cujas características oligárquicas atreladas ao latifúndio e ao poderio dos fazendeiros se opunham ao ideal democrático vislumbrado por setores das forças armadas.

“A política foi retirada dos quarteis pós-1964 pelo marechal Castelo Branco, primeiro Presidente da República do período militar”, observou Mourão. “Agora, se ocorrer o caos as forças estão preparadas para atuar dentro da legalidade. O Exército não faltará à Nação. Na minha opinião, o importante é o debate porque vamos emergir melhores desta crise.”

Mourão é favorável a uma Assembleia Nacional Constituinte, independente e exclusiva, como no máximo dez integrantes de notável saber, independentemente de filiação partidária, que deverá cuidar apenas e tão somente do novo texto constitucional. “Após, o texto deve passar por um plebiscito popular.”

O general defende o livre mercado e a democracia como o melhor dos regimes, apesar de todas as dificuldades. Também considera necessária uma reforma tributária para reduzir o poder da União, descentralizando a verba pública para os estados e municípios. E propõe a profissionalização dos funcionários públicos, com o fim dos privilégios e a possibilidade de demissão, caso não cumpra com suas obrigações. 

Ele entende que o estado brasileiro está excessivamente burocratizado com extraordinários índices de corrupção. E completou: “Não podemos esquecer nossas heranças culturais como a ibérica, em relação aos privilégios, a indolência indígena e a malandragem africana, além da mediocridade das lideranças políticas e uma elite que não tem visão de país. Basta ver a Lava Jato, onde estão envolvidos corruptos e corruptores da elite empresarial.”

Questionado pela plateia sobre a candidatura do capitão da reserva e deputado federal pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro, Mourão disse que o presidenciável é um político testado e que não tem telhado de vidro. E que nunca se meteu em falcatruas e confusões.

Conhecido por suas posições polêmicas, Mourão foi para reserva em fevereiro passado, depois de 46 anos na ativa. Agora, é candidato à presidência do Clube Militar do Rio de Janeiro. A palestra foi promovida pelo Instituto Victória Nahon em parceria com Associação Comercial de Porto Alegre.